Governança em Cadeia de Valor

No trabalho de Gereffi, Humphrey e Sturgeon (2005), os autores fizeram uma busca na literatura para explicar a organização industrial – partindo da teoria dos custos de transação (WILLIAMSON, 2005) até cadeia de commodity global (GEREFFI, 1999), passando pela teoria da organização – de que os relacionamentos baseados no mercado entre empresas são opostos ao espectro da coordenação explícita em relação às empresas verticalmente integradas (hierárquicas), e que relacionamentos baseados em rede (network) abrangem um modo intermediário da governança da cadeia de valor. Assim, os autores categorizaram o modo intermediário de rede (network) em modular, relacional e cativa. Desse modo, a tipologia da governança de cadeia de valor, proposta por Gereffi, Humphrey e Sturgeon (2005), são cinco:

  • Mercado: interações com o mercado não são completamente transitórias, podem persistir no tempo com repetições. O ponto essencial é que os custos de troca para um novo parceiro é baixo para as partes.
  • Cadeia de Valor Modular: referem-se a fornecedores que fazem produtos a partir das especificações de seus clientes que podem ser mais ou menos detalhados.  No caso de fornecedores turn-key, possuem a responsabilidade completa pelas competências tecnológicas necessárias do produto que estão entregando.
  • Cadeia de Valor Relacional: envolve uma complexa relação entre compradores e vendedores, que freqüentemente criam uma dependência mútua e altos níveis de especificidade de ativos. Além disso, envolve confiança e reputação.
  • Cadeia de Valor Cativa: pequenos fornecedores são dependentes transacionais de grandes compradores. Por possuírem custos elevados de troca ficam ‘cativos’. Freqüentemente, os fornecedores são monitorados e controlados pelas empresas líderes.
  • Hierarquia: caracterizado pela integração vertical. O domínio da governança pode ser, por exemplo, pelo controle gerencial, gerentes para subordinados e/ou matrizes para subsidiárias. Continue reading
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Cadeia de Valor e Rede de Produção

A crescente interdependência econômica e social entre os vários agentes[1] provoca uma ampliação da idéia de setor econômico. Na medida em que a competitividade das empresas depende do sistema no qual está inserido e a sua concorrência passa a evoluir dos mercados imediatos, serviços e aquisição para a incorporação de mercados abaixo e acima do seu setor econômico, são necessários uma forma diferente de estudo econômico, de compreensão das “fronteiras de uma empresa”.

Do ponto de vista da teoria econômica, as principais contribuições para a análise do desempenho de setores da economia têm a sua origem nos estudos de organização industrial. Essa formulação tradicional limita a compreensão de uma importante característica de alguns setores da economia: a organização vertical. Isto é, as relações estabelecidas entre os atores – produtores, processadores, distribuidores, etc. (KIECKBUSCH, 2004)

Conforme Pires (2004), a Revolução Industrial também marcou uma transformação significativa nas relações trabalhistas nas cadeias produtivas. Se antes o artesão era o proprietário de seus instrumentos de trabalho, isso deixou de acontecer, surgindo duas classes com atuações distintas no novo mundo industrial: a dos empresários donos de empresas e a dos operários donos apenas da força de trabalho. Continue reading

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Tese: Modelo de referência para o processo de desenvolvimento de produtos em um ambiente de SCM

Modelo de referência para o processo de desenvolvimento de produtos em um ambiente de SCM  [tese]
Andréa Cristina dos Santos. Orientador: Fernando Antônio Forcellini.
Tese (doutorado) – Universidade Federal de Santa Catarina, Centro Tecnológico. Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica.

Resumo : Hoje, mais do que no passado, os negócios dependem das relações estratégicas com seus clientes e fornecedores, com o propósito de criar valor ao produto em desenvolvimento e de manter ou melhorar o posicionamento da empresa no mercado. Esta tese apresenta um modelo de referência para o processo de desenvolvimento de produtos, inserindo conceitos, informações e conhecimentos de SCM no PDP, com o propósito de integração e sincronização das tomadas decisões de PDP e SCM. São apresentados três elementos fundamentais para sincronização das decisões do SCM e PDP: ‘projeto da’ cadeia de suprimentos, ‘projeto para’ cadeia de suprimentos e arquitetura do produto. Além disso, o detalhamento do modelo de referência envolve o fornecimento de um caminho para o envolvimento dos fornecedores no PDP, por meio das conexões do processo de outsourcing com o PDP. O modelo proposto foi avaliado por especialistas acadêmicos e de empresas, que apontaram a necessidade da existência do desenvolvimento de vários conhecimentos prévios na empresa, para promover a integração do PDP com o SCM. Como resultado deste trabalho, destaca-se a importância dos conhecimentos técnicos, na fase de planejamento estratégico do produto, assim como, a integração de diferentes áreas para integrar e sincronizar as tomadas de decisão do PDP com o SCM. Com isso, este trabalho ressalta novas áreas de pesquisas em que há necessidade de uma maior integração de conhecimentos para se promover novas soluções para os problemas das empresas num ambiente de SCM. Today, more than in the past, businesses depend on strategic relations with their clients and suppliers, in order to give value to a product under development and maintain or improve the position of a company in the market. This thesis presents a reference model for the product development process (PDP), incorporating concepts, information and knowledge from SCM into PDP, with the aim of the integration and synchronization of decision making in PDP and SCM. Three fundamental elements for the synchronization of SCM and PDP decisions are presented: ‘design of’ the supply chain, ‘design for’ the supply chain and product architecture. Also, the detailing of the reference model includes providing a way of involving the suppliers in the PDP, through the connection of the outsourcing process with the PDP. The proposed model was evaluated by academic and business specialists, who indicated the need for the development of several areas of prior knowledge in the company, in order to promote the integration of PDP with SCM. As a result of this study, the importance of technical knowledge in the strategic planning phase of the product, as well as the integration of different areas in order to integrate and synchronize the decision making of PDP with SCM, was highlighted. Thus, this study brings to light new research areas in which there is the need for greater integration of knowledge in order to promote new solutions for company problems in an SCM environment.

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Tese: Estruturas de cooperação em marketing para clusters de fabricação de calçados

Estruturas de cooperação em marketing para clusters de fabricação de calçados [tese] : um estudo nos clusters do Vale do Rio Tijucas (SC) e do Vale do Rio Paranhana (RS)
Autor: Jorge Alberto Velloso Saldanha Orientador: Nelson Casarotto Filho.
Tese (doutorado) – Universidade Federal de Santa Catarina, Centro Tecnológico. Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção.

Resumo: O objetivo geral deste estudo foi propor estruturas de cooperação em estratégias de marketing para micro, pequenas e médias empresas de clusters de fabricação de calçados. A pesquisa foi realizada em duas fases distintas, sendo a primeira de abordagem qualitativa e a segunda de abordagem quantitativa. Em relação aos objetivos, a pesquisa foi classificada como descritiva. Pesquisaram-se dois clusters, um localizado no Vale do Rio Tijucas(SC) e o outro localizado no Vale do Rio Paranhana(RS). A primeira fase da pesquisa iniciou-se com a elaboração de um meta estudo. Posteriormente, realizaram-se duas entrevistas exploratórias com os executivos da governança dos clusters. A primeira fase da pesquisa encerrou-se com a elaboração dos instrumentos de pesquisa. Na segunda fase do estudo realizou-se o pré-teste dos instrumentos de pesquisa, a coleta de dados e, finalizando, o processamento e a análise dos dados. A coleta de dados da fase quantitativa foi constituída de vinte e quatro entrevistas aprofundadas, quatro referentes à governança dos clusters, dez realizadas com gestores das empresas do Vale do Rio Tijucas e as outras dez com gestores das empresas do Vale do Rio Paranhana. No estudo foram utilizados dois testes estatísticos, sendo um paramétrico (t de Student) e o outro não paramétrico (Mann-Whitney). O objetivo destes testes foi verificar se a média do grau de cooperação, concorrência e confiança entre as empresas dos clusters do Vale do Rio Tijucas e do Vale do Rio Paranhana eram significativamente diferentes ou se esta diferença era originada somente devido a fatores casuais. Os testes provaram que as médias dos graus de cooperação, concorrência e confiança entre os dois clusters não têm diferença significativa, podendo ser consideradas iguais. Para a elaboração das estruturas de cooperação propostas nos objetivos do estudo, foram pesquisadas doze estratégias de marketing. Como parte dos resultados, obteve-se o percentual de viabilidade destas estratégias poderem ser, ou não, realizadas de forma cooperada e de que maneira estas estratégias deveriam ser geridas. As estruturas de cooperação foram elaboradas baseando-se nestes resultados. Foram consideradas viáveis de serem realizadas de forma cooperada as estratégias e a forma de gestão com mais de 50% de viabilidade, na opinião dos gestores das empresas pesquisadas. Em resposta ao objetivo geral e a um dos objetivos específicos do estudo, elaboraram-se três estruturas de cooperação em marketing para clusters calçadistas. A primeira para ser implantada no cluster do Vale do Rio Tijucas, a segunda para ser implantada no cluster do município de Três Coroas(RS) e a terceira, de abordagem geral, para ser implantado em qualquer cluster de fabricação de calçados. Em resposta aos outros objetivos específicos do estudo, são oferecidos resultados referentes ao perfil das empresas e dos atores entrevistados, além da descrição das características da gestão no setor calçadista. Finalizando, detalham-se quais são as estratégias de marketing utilizadas pelas empresas nos mercados interno e externo, pois 60% das empresas pesquisadas atuam no mercado internacional.

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Estudos: Desenvolvimento Tecnológico Regional em Santa Catarina

Entre 2002 e 2005, com o intuito de intervir no foco do desenvolvimento regional, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Santa Catarina – SEBRAE/SC, em conjunto com o Instituto Euvaldo Lodi de Santa Catarina – IEL/SC, desenvolveram o Programa Catarinense de Desenvolvimento Regional e Setorial – PCDRS.

Deste programa, fizeram parte duas  metodologias: Desenvolvimento Tecnológico Regional – DTR e a Estruturação de Agência de Desenvolvimento Regional – ADR.

O DTR é uma metodologia que desenvolve e disponibiliza diagnósticos com ênfase nos aspectos econômico e tecnológico do território e de seus principais segmentos produtivos, propondo iniciativas de desenvolvimento e melhoria da competitividade.

As ADRs são estruturas mínimas, profissionalizadas, que coordenam as ações dos diversos atores no processo de desenvolvimento, necessárias para que os projetos identificados como prioritários regionalmente sejam desenvolvidos e executados. A constituição das mesmas é, pois, um passo de grande contribuição para que se inicie ou se acelere o processo de desenvolvimento.

A partir da aplicação da metodologia do DTR, elaboram-se treze estudos regionais no Estado de Santa Catarina, descritos a seguir.

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Tese: Cadeia de Suprimentos da Indústria Têxtil e de Confecções do Médio Vale do Itajaí: Comparativo entre a realidade encontrada e os referências teóricos

Autor: Rafael Ernesto Kieckbusch

Resumo: Fatores como qualidade, tempo e disponibilidade passaram a ser mais bem compreendidos pelos consumidores, provocando uma pressão sobre as organizações e ocasionando um aumento da diversidade e variedade de produtos, tornando os seus ciclos de vida mais curtos e requerendo uma melhoria de competências para atender as necessidades dos clientes. A vantagem competitiva está se tornando temporária, as competências essenciais tornam-se fundamentais para o outsourcing e para agregação de valor ao cliente. Entretanto as organizações estão em um estágio de transição da eficiência individual para eficiência coletiva, no âmbito da chamada nova economia. Existe a necessidade de estruturar os processos de conhecimento sobre cadeias de suprimentos, competências essenciais, governança, outsourcing e valor agregado com a visão do cliente como foco central, fornecendo mecanismos que permitam apoiar as organizações do estágio da eficiência individual para a eficiência coletiva. Esta tese de doutoramento buscou compreender como as competências essenciais das empresas envolvidas na indústria têxtil e de confecções estão sendo utilizadas na aplicação do conceito de gerenciamento da cadeia de suprimentos. Tendo como base os estudos de casos realizados em empresas do setor têxtil no Médio Vale do Itajaí especificaram-se as cadeias de suprimentos a partir da comparação com os referenciais teóricos e a realidade encontrada.

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Dissertação: Metodologia de Identificação de Atividades Econômicas Potenciais. Aplicação na Região da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Regional de Blumenau

Elaborou-se a metodologia de identificação de atividades econômicas potenciais de economias em desenvolvimento de forma a ser aplicado numa região composta por um ou mais municípios. Fez-se a aplicação prática na região da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional de Blumenau, composta por nove municípios do Estado de Santa Catarina.
A fundamentação teórica baseou-se no processo econômico básico, aspectos conceituais sobre aglomerados (cadeias produtivas, redes de empresas, distritos industriais, aglomerados industriais, arranjos e sistemas produtivos e inovativos locais, etc), além de técnicas e métodos de identificação de segmentos econômicos.
A metodologia proposta é composta por três fases (coleta de dados, quadro de análise e atividade econômica potencial) e em cada fase têm-se as suas respectivas etapas. Obtiveram-se as atividades econômicas potenciais a partir das análises da comparação da participação percentual das atividades econômicas do território de aplicação com um referencial, neste caso, o Estado de Santa Catarina. Além disso, analisaram-se o grau de concentração econômica destas mesmas atividades no território de aplicação, e as variáveis de apoio que permitiram uma análise complementar.
A identificação das atividades econômicas potenciais utiliza-se de apenas dados secundários, classificados de acordo com o CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) e agrupados em variáveis-bases (empregados, estabelecimentos e valor adicionado). Coletaram-se os dados a partir da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais) e da DIEF/SC (Declaração de Informações Econômica-Financeira).
Desta forma, a metodologia proposta permitiu a identificação das atividades econômicas potenciais da região de Blumenau são baseadas na confecção, vestuário e têxtil. Demonstrando a grande importância que estas atividades têm na economia, geração de emprego e renda desta região.

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Teoria dos Custos de Transação

Conforme Fiani (2002), Farina, Azevedo e Saes (1997) e Dietrich (1994), a partir da publicação dos trabalhos de Ronald Coase em 1937, a teoria econômica até aquele momento tratava em detalhes apenas dos custos de produção. E os demais custos, entre eles os de transação, eram negligenciados. A teoria dos custos de transação (TCT) ou economia dos custos de transação (ECT), conforme Cabral (2004), Dietrich (1994) e Fiani (2002) faz parte da corrente de pesquisa conhecida como Nova Economia das Instituições (NEI), focada na análise das variáveis institucionais, transacionais e organizacionais que compõem o universo de atuação das organizações.

Conforme Farina, Azevedo e Saes (1997), o que Coase observou foi que o funcionamento do sistema econômico não era isento de custos e que os custos de transação poderiam ser divididos em duas espécies: custos de coleta de informações, e custo de negociação e estabelecimento de um contrato.

Para Cheung (1990 apud FARINA, AZEVEDO e SAES, 1997), os custos de transação são os custos de a) elaboração e negociação de contratos; b) mensuração e fiscalização de direitos de propriedade; c) monitoramento de desempenho; e d) organização de atividades. Além disso, conforme Farina, Azevedo e Saes (1997), incluem-se os custos de adaptações ineficientes às mudanças do sistema econômico. Continue reading

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